Por que as crianças precisam de probióticos?

ALIMENTAÇÃO

Saiba onde encontrar os micro-organismos do bem, que fortalecem as defesas do corpo e trazem benefícios que vão além da nutrição.

Por Marisa Sei / Revista NA MOCHILA

Muito mais do que simples nutrientes, alguns alimentos contêm probióticos, que são micro-organismos vivos, como bactérias. Mas não precisa se preocupar: elas são de um gênero que só traz benefícios à saúde. “As mais conhecidas são do gênero Lactobacilos, Bifidobacterium e Saccharomyces, encontradas nos iogurtes caseiros e industrializados e nos leites fermentados industrializados, queijos, leite em pó”, destaca a nutróloga Patricia Savoi Canineu.

O termo “probiótico” deriva do grego e significa “pró-vida”. Segundo a nutricionista Cintya Bassi, os alimentos que contêm essas substâncias são denominados funcionais, por trazerem benefícios além da nutrição.

Oferecer esses tipos de laticínios às crianças, portanto, vai além de enriquecer a dieta com cálcio, mineral indispensável para a formação e manutenção dos ossos. “Os probióticos, quando presentes em número suficiente, promovem um equilíbrio na flora intestinal, colonizando o intestino com bactérias benéficas e, consequentemente,
inibindo o crescimento nocivo de bactérias tóxicas”, explica Cintya.

Corpo forte contra doenças
Manter a flora intestinal equilibrada é importante para o bom funcionamento do intestino e a digestão correta permite uma melhor absorção de nutrientes.

Resultado: criança crescendo mais forte! Além disso, as bactérias benéficas protegem contra a entrada de micro-organismos patogênicos, ou seja, aqueles que provocam doenças, já que a mucosa do intestino é o local de maior contato entre o organismo e o ambiente externo.

É nesse órgão, ainda, que estão presentes inúmeras células que participam do sistema imunológico, aquele responsável por nos defender contra os mais diversos problemas de saúde. Imunidade alta, portanto, é outro benefício garantido pelo consumo de probióticos, mantendo doenças como gripes, resfriados, infecções e cansaço bem longe. E, para completar, intestino funcionando direito é sinônimo até de bom humor! É que parte da serotonina é produzida justo ali – ela é um neurotransmissor que dá sensação de bem-estar e relaxamento.

Trabalho em conjunto
Para colaborar com a ação dos probióticos, existem os prebióticos. De forma simplificada, eles podem ser considerados alimentos para os micro-organismos do bem. “São ingredientes que, ao serem fermentados, resultam em alterações na microbiota intestinal, proporcionando assim benefícios à saúde. Os mais conhecidos desse grupo são a inulina, os fruto-oligossacarídeos e os galacto-oligossacarídeos. Alguns prebióticos são encontrados naturalmente em alimentos como a chicória, cereais, agave, leite, banana, aspargos, alho, beterraba e cebola”, cita Patricia. Apesar do nome complicado, os prebióticos são alguns tipos de fibras que não são digeridas pelo corpo humano, por serem resistentes à ação de enzimas. Assim, chegam ao intestino intactas, colaborando também para todas as funções do órgão.

Quanto consumir?
Probióticos e prebióticos são indispensáveis para o organismo e ajudam, inclusive, na prevenção do câncer de cólon. “Para incluí-los no dia a dia, é recomendada a adição de iogurtes, leites fermentados, banana, chicória, cebola, alho, tomate, cevada, aveia, trigo, aspargos e alcachofra, e até mesmo o petit suisse”, indica a nutróloga. Uma alimentação equilibrada, rica em verduras e legumes, já supre a necessidade de prebióticos. Cebola, alho e tomate, por exemplo, podem ser consumidos diariamente. Segundo Cintya, as pesquisas sobre o quanto deve ser ofertado de probióticos para as crianças não são claras. Portanto, o ideal é consultar um profissional da nutrição, que indicará a melhor quantidade para cada caso, levando em conta a idade da criança e seus hábitos.

Escolha certa
Como todo iogurte e leite fermentado contêm probióticos, esses são os melhores produtos para oferecer às crianças, mas é preciso cautela na hora da escolha. “O melhor iogurte é sempre o mais próximo do natural, com menor adição de produtos químicos como aromatizantes, corantes, estabilizantes, entre outros, e com menor quantidade de açúcar adicionado”, frisa Patricia. O ideal é não dar produtos industrializados para crianças menores de dois anos, portanto, iogurtes e outros laticínios processados devem entrar no cardápio apenas após essa idade. Para não errar, sempre preste atenção aos rótulos: a lista de ingredientes deve conter todos os aditivos químicos por ordem decrescente, ou seja, o primeiro item é o que mais está presente no produto.

Confira as diferenças!
“O iogurte é um leite fermentado produzido a partir da adição de lactobacilos ou bifidobacterium, tipos de bactérias benéficas que usam o açúcar do leite (lactose) para produzir energia e se proliferarem, liberando ácido láctico, substância que aumenta a acidez da flora intestinal e inibe a proliferação de bactérias nocivas”, define a nutróloga. Portanto, nem todo produto lácteo é iogurte. Conheça alguns!

Iogurte natural
Não tem adição de açúcar, frutas, corantes ou aromatizantes, portanto é a opção mais saudável do mercado. Para ganhar sabor, experimente bater no processador ou liquidificador com frutas. Pode ser consumido diariamente.

Iogurte de sabores
Além de aromatizantes e corantes, pode ter alta quantidade de açúcar ou de adoçante, se a opção for zero ou light. Pode ser oferecido às crianças esporadicamente.

Petit suisse
É um queijo fresco, não maturado, adicionado de polpa de frutas, vitaminas e minerais. De acordo com a nutróloga, são fontes de probióticos. Porém, é uma das opções com açúcar em excesso – não devem, portanto, serem consumidos com frequência.

Leite fermentado
É um líquido leve, também composto de bactérias benéficas (geralmente, o tipo do probiótico vem descrito no rótulo). O mais comum é o sabor natural, apenas acrescido de açúcar, mas já é possível encontrar leites fermentados saborizados. O ideal é não consumir mais do que um potinho por dia.

Bebida láctea
Mais líquido do que o iogurte, o produto é composto de leite e soro de leite e pode ou não ser fermentado, ou seja, conter ou não probióticos. Por isso, é importante ler a embalagem. Tem menor valor calórico, porém também é menos nutritivo e geralmente contém aditivos como açúcar, corantes e aromatizantes.

Nossas fontes:
Cintya Bassi é nutricionista do Hospital e Maternidade São Cristóvão
Patricia Savoi Canineu é nutróloga